A Prefeitura de São Sebastião, por meio da Fundação Educacional e Cultural ‘Deodato Sant’Anna’ (Fundass), inaugura, nesta quarta-feira (19/11), a exposição ‘Presença Negra no Arquivo Histórico’, em celebração ao Dia da Consciência Negra.
A mostra ficará aberta ao público até março de 2026, na Casa do Patrimônio, localizada na Avenida Altino Arantes, 6, no Centro Histórico, e contará com monitoria nos dias 19, 24, 25, 26, 27 e 28/11, das 15h às 18h. Parte da exposição também poderá ser apreciada na Casa Caiçara, no Complexo Turístico da Rua da Praia, durante o evento São Sebastião Preta ‘Saberes e Sabores Ancestrais’.
A exposição apresenta um recorte inédito do acervo do Arquivo Histórico, reunindo documentos, fotografias e relatos orais que revelam a contribuição de homens e mulheres negros na formação histórica, social e cultural do município.
Entre os destaques estão as trajetórias de Manoel Libaino dos Santos, Joaquim Daniel dos Santos, Antônia Geremias de Jesus, Delza Geremias de Jesus Andrade, Dilza Geremias de Jesus Oliveira, Manoel Teixeira, Doralice França Pereira, Tiago Fortunato e Regina Célia Cristino Barbosa, lideranças comunitárias, educadores, artistas e trabalhadores que, com coragem e sensibilidade, lutam contra o racismo e ajudaram a construir uma sociedade mais justa e igualitária.
O público que visitar a mostra também poderá conhecer o documento original de 1865, em formato de processo, que relata o ocorrido na Fazenda da Ordem Carmelita, na praia do Guaecá, no episódio conhecido como ‘A Revolta do Guaecá’. Na ocasião, alguns escravizados se revoltaram contra a venda de pessoas para fazendas situadas serra acima, ato que separava famílias, resultando na morte do administrador Antônio Augusto Teixeira, conhecido como Andorinha.
Cinco acusados foram recolhidos à cadeia pública e indiciados pelo crime: Antônio Pequeno foi condenado à morte; Francisco e Daniel, à pena de galés perpétuas na Casa de Correção de São Paulo; e Berthalino e Jordão foram absolvidos, porém, permaneceram presos até julho do mesmo ano.
A exposição é resultado de uma pesquisa desenvolvida pela equipe do Arquivo Histórico, em parceria com familiares e descendentes dos homenageados, que contribuíram com informações, registros e memórias pessoais. Essa colaboração possibilitou o resgate de histórias até então pouco conhecidas, reafirmando a importância da preservação da memória e da representatividade negra nos acervos públicos.
“A exposição é um convite à reflexão e ao reconhecimento da herança cultural afro-brasileira como parte fundamental da história de São Sebastião. Ainda há muitas histórias a serem descobertas e contadas, e esperamos que este trabalho inspire novos olhares para o acervo do Arquivo Histórico”, afirma a museóloga Fernanda Palumbo.
#PraTodosVerem: Montagem com quatro fotos antigas. A primeira mostra um grupo de mulheres em apresentação cultural, todas vestindo roupas claras, com Regina Célia ao centro falando ao microfone. A segunda traz cinco homens em pé à beira da água, segurando remos ao lado de canoas, um deles é Tiago Fortunato. A terceira é um retrato antigo de Manoel Teixeira, com expressão séria, usando terno e gravata. A quarta mostra uma cena noturna onde Antônia Geremias sobe em uma escada apoiada em um poste, enquanto outras observam ao redor. Fim da descrição.
