Uma reunião entre representantes da Prefeitura de São Sebastião, Companhia Docas – administradora do Porto – sindicatos, empresas e operadores responsáveis pelos embarques de cargas no terminal sebastianense levantou questões importantes para ampliar o entendimento das operações atualmente realizadas no porto da cidade.

Entre os dados apresentados está um crescimento considerável da operação e embarque de bovinos que normalmente são exportados para países como a Turquia. “Em 2017 este tipo de ação era responsável por 1/3 das operações realizadas na zona portuária em São Sebastião. Para este ano acreditamos que 50% das operações portuárias sejam feitas para o transporte de carga viva sendo, por exemplo, agora no mês de junho, dos 10 embarques previstos sete são para gado, dois para o transporte de veículos e apenas um exportando cevada”, explicou Paulo Garrido, representante da empresa Pronave.

Entre os pontos positivos com o aumento deste tipo de ação está a geração direta e indireta de 1,2 postos de trabalho e uma movimentação média de R$ 300 mil por dia o valor total de uma operação como esta.

Um levantamento feito pela Secretaria Municipal de Fazenda, de janeiro a junho de 2018 a Cia Docas recolheu cerca de R$189 mil reais em Imposto Sobre Serviços (ISS), deste total, calcula-se que são cerca de R$ 13,3 mil mensais relativos exclusivamente à atividade de gado.

Segundo informações, o primeiro navio deste tipo atracou em água sebastianense há 26 anos, ou seja, 1992. A ação chegou a ser interrompida, mas, retomada no ano 2000 permanecendo até os dias atuais.

Durante a reunião, o prefeito Felipe Augusto questionou os representantes das empresas e da Cia Docas em relação às medidas de segurança e o plano de contingência que é adotado em casos de acidentes – como o envolvendo um boi que caiu no mar, na semana passada. “Nós entendemos a importância deste tipo de operação para a cidade, mas, precisamos saber como funcionam as ações emergenciais em casos de acidentes. Quais são as medidas adotadas e os números de acidentes em relação ao volume de gado embarcado”, disse Felipe Augusto.

Segundo Valdner Bertotti, responsável pela empresa VB Agrologística o embarque de gado no Porto de São Sebastião atende a todas as exigências do Ministério da Agricultura e as normas internacionais de Saúde para que o animal seja exportado. “Os índices de acidentes envolvendo este tipo de carga são mínimos, se considerarmos o volume de animais transportados mensalmente nos navios. Respeitamos todas as normas e, para se ter uma ideia, a taxa de mortalidade dos animais em um navio, não chega a 0,01%”, comentou.

Ainda segundo Bertotti várias medidas estão sendo adotadas pelas empresas e principalmente a Cia Docas, responsável pela administração do Porto de São Sebastião. “O pessoal do Porto já disponibilizou uma embarcação que ficará a postos 24 horas nos dias de embarque de gado para, caso seja necessário, fazer o resgate de algum animal. Além disso, já estamos em fase de testes à instalação de equipamentos que minimizam os odores que este tipo de carga traz para a cidade e já temos implantado um sistema eficiente de monitoramento e higienização dos locais por onde os caminhões passam”, disse.

O secretário de Meio Ambiente Auracy Mansano disse que a Prefeitura de São Sebastião tem acompanhado as questões deste tipo de operação no Porto. “Na última semana o Conselho de Meio Ambiente encaminhou um ofício para a Cia Docas solicitando este tipo de esclarecimentos e certamente o Meio Ambiente está atento a todas as movimentações”, finalizou.